Morreu, de causas naturais, no dia 17 de setembro, aos 91 anos, o arquiteto Joel Ramalho Junior, que integrou a seleção brasileira de vôlei medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de Chicago, em 1959. Segundo a Folha de S.Paulo, ele deixa cinco filhos, oito netos (o nono está a caminho) e a esposa, Leni.
A trajetória de Ramalho uniu esporte e arquitetura. Quatro anos depois da prata em Chicago, na edição de 1963, realizada em São Paulo, ele foi um dos arquitetos que assinaram o projeto da vila de atletas do evento. O trabalho foi liderado por Eduardo Kneese de Mello e erguido em poucos meses. Hoje, os prédios fazem parte do Crusp, o Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, e passaram por diversas alterações ao longo das décadas.
O esporte também esteve presente em sua vida empresarial. De acordo com a Folha, o clube da Vila Mariana em que ele e outros atletas despontaram inspirou o nome da Adamus, empresa de drywall que fundou anos depois, escolhido por ele por buscar um “nome de vencedor”.
Nascido em Tombos, no interior de Minas Gerais, Ramalho mudou-se para São Paulo aos quatro anos e se formou pelo Mackenzie. Em 1967, transferiu-se para Curitiba. Foi premiado no setor e se tornou referência no uso de elementos pré-fabricados na arquitetura. Entre seus projetos favoritos, estavam o anexo da Assembleia Legislativa do Paraná, o edifício do BNDES, no Rio de Janeiro, e o Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.
Na vida profissional, atuou nas esferas pública e privada, com passagens pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, pela Cohab de Curitiba e pela Secretaria Municipal de Transporte. Foi professor da UFPR por 27 anos e também lecionou na PUC-PR. Presidiu ainda o Instituto de Arquitetos do Brasil no Paraná (IAB-PR) entre 1976 e 1977.
Apaixonado por esportes, Ramalho também jogou basquete e foi diretor de natação do Clube Curitibano, pelo qual parte de seus filhos competiu. O filho, Thomaz Ramalho, destacou à Folha o gosto do pai pelo trabalho coletivo.
“Gostava de trabalhar em equipe. Ele falou isso a vida inteira. Sempre foi muito generoso em relação a todos os projetos de que participou.”
Segundo o filho, Ramalho gostava de viajar e conheceu África e Europa, em aventuras com colegas após competições e em viagens com a família. Também era conhecido pelo apelido de Peixe Grande, dado por um colega em referência ao filme de Tim Burton sobre um contador de histórias exagerado.
