PARALÍMPICOS

Jovens com deficiência de seis estados participam de camping paralímpico em Fortaleza até 7 de novembro

6 de November de 2026 · por Sinésios Amaim Junior

Fortaleza recebe, até o dia 7 de novembro, uma etapa regional do Camping Escolar do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). O evento reúne jovens atletas com deficiência de seis estados: Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, segundo informações do ge.

As atividades contemplam duas modalidades. A natação é disputada no Centro de Formação Olímpica (CFO), e o atletismo acontece na Universidade Federal do Ceará (UFC). Os campings escolares são uma das estratégias usadas pelo CPB para revelar novos talentos e manter o Brasil entre as principais potências paralímpicas do mundo.

O Ceará também está no centro de um projeto do comitê. O CPB firmou parceria com o Governo do Ceará para transformar o Centro de Formação Olímpica em um novo centro de treinamento paralímpico, com a proposta de torná-lo referência nacional na formação de atletas com deficiência. A medida não deve interromper as atividades já existentes, e sim ampliar o acesso ao esporte.

Durante o camping, os participantes vivenciam a rotina de atletas de alto rendimento, com treinamentos, palestras e atividades conduzidas por profissionais do esporte. Segundo Ramon Pereira, diretor de Desenvolvimento Esportivo do CPB, o grupo prioritário tem entre 11 e 15 anos e será monitorado e orientado para dar continuidade à prática esportiva.

Vão ser monitorados e orientados para que eles tenham essa continuidade na prática esportiva. Prioritariamente, esse grupo está entre 11 e 15 anos de idade. Na verdade, é uma preparação para que eles sejam futuros atletas paralímpicos.

Ramon Pereira também destacou que a iniciativa vai além da descoberta de talentos, pois busca ampliar a inclusão. Ele citou a realidade do ensino regular, em que muitos alunos com deficiência são dispensados das aulas de educação física.

Nossos alunos no ensino regular, muitos deles, são dispensados das aulas de educação física por, muitas vezes, o professor não ter a informação de fazer um plano de aula inclusivo. Isso não só se reflete na questão da descoberta de futuros atletas paralímpicos, mas também na autoconfiança.

Entre as áreas abordadas nas palestras está a psicologia, considerada fundamental para a carreira, seja no alto rendimento ou não. O diretor do CPB afirmou que o comitê observava que muitos jovens criavam altas expectativas e, ao encontrarem frustrações, desanimavam e abandonavam o esporte.

A gente perdia essa promessa. Então, hoje, nós temos esse cuidado de prepará-los, principalmente psicologicamente, para que eles tenham exatamente essa noção. Vai ter uma época que eles vão perder, mas vai ter uma época que eles vão estar com a medalha de ouro no peito.

Os resultados já aparecem. Alessandra Oliveira, que começou na Escolinha Paralímpica de Esportes e participou da etapa nacional do Camping Escolar, é hoje um dos principais nomes da natação adaptada do Brasil e detentora de recordes mundiais nos 100m peito (classes S4/SB4). Entre os cearenses, Jaziel Moreno Chaves, natural de Cascavel, compete no atletismo na classe T20, voltada a atletas com deficiência intelectual. Ele foi ouro nos 200m no Meeting Paralímpico de Fortaleza, resultado que garantiu vaga nas Paralimpíadas Escolares, disputadas ainda em novembro, em São Paulo.

Foto: Kely Pereira/CPB