ATLETISMO

Thiago Braz: do ouro no Rio à busca do último salto em Los Angeles 2028

15 de August de 2026 · por Sinésios Amaim Junior

Há exatos dez anos, na noite de 15 de agosto de 2016, no Engenhão, Thiago Braz conquistou o ouro olímpico inédito do Brasil no salto com vara. Naquela disputa, a briga pela medalha já estava definida entre dois nomes quando o sarrafo chegou aos 5,98m: o francês Renaud Lavillenie, então campeão olímpico e recordista mundial, passou com tranquilidade e cravou novo recorde olímpico, marca que o brasileiro precisava superar.

Thiago decidiu arriscar. Pulou a etapa seguinte e foi direto para 6,03m. Errou na primeira tentativa, mas na segunda, embalado pela torcida, ultrapassou a barreira dos 6 metros pela primeira vez na carreira e quebrou o recorde olímpico que o francês havia acabado de estabelecer. Lavillenie ainda tentou responder, subindo a régua para 6,08m, mas não passou sob as vaias da torcida brasileira e teve que se contentar com a prata. O salto de Thiago representou um avanço de 10 centímetros sobre seu recorde pessoal até aquele momento.

Nascido em 16 de dezembro de 1993, em Marília, no interior de São Paulo, Thiago Braz da Silva foi criado pelos avós e passou por outros esportes, como basquete e decatlo, antes de se dedicar ao salto com vara, que entrou em sua vida aos 13 anos, em um clube de Marília orientado pelo tio Fabiano Braz, ex-atleta. Ainda adolescente, procurou o técnico Elson Miranda, que já treinava a campeã mundial Fabiana Murer, e foi aceito na equipe. A trajetória seguiu em ascensão: prata nos Jogos Olímpicos da Juventude de Cingapura, em 2010, e título mundial júnior em Barcelona, em 2012, aos 18 anos. Em 2014, motivado por uma fratura no punho, mudou-se para Formia, na Itália, a convite do técnico ucraniano Vitaly Petrov, que já havia treinado nomes como Sergei Bubka e Yelena Isinbayeva.

A temporada de 2015, no entanto, foi de sufoco: Thiago não validou nenhum salto nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, terminou em 19º no Mundial de Pequim e, cinco meses antes da Olimpíada do Rio, no Mundial Indoor de 2016, conseguiu validar apenas um salto. Ainda assim, o período teve pontos positivos, como o casamento com Ana Paula Oliveira, no fim de 2014, e o recorde pessoal ao ar livre de 5,92m, alcançado em 2015. Era, até ali, um atleta talentoso, mas irregular sob pressão, o que o afastava do posto de favorito para a disputa em casa.

O ouro olímpico não ficou restrito ao pódio. Thiago foi eleito Atleta do Ano no atletismo pelo Comitê Olímpico Brasileiro e recebeu a Medalha de Mérito do Esporte Militar, do Ministério da Defesa. Mas a principal mudança talvez tenha sido no próprio perfil competitivo: o atleta que costumava travar em momentos de pressão passou a crescer nos grandes eventos, o que se confirmou em Tóquio, em 2021, quando conquistou o bronze e se consolidou com duas medalhas olímpicas.

Nem toda a trajetória pós-2016 foi de ascensão. Em julho de 2023, Thiago foi suspenso preventivamente após ser flagrado em exame antidoping por ostarina, substância que aumenta massa muscular e que, segundo o atleta, estava presente em um suplemento nutricional contaminado. Em maio de 2024, a Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) confirmou a suspensão por 16 meses, o que o tirou dos Jogos de Paris 2024. Ele recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) e conseguiu liminar para tentar o índice olímpico no Troféu Brasil, mas não conseguiu: precisava de 5,82m e parou em 5,65m.

A volta em 2025 foi gradual. Muito religioso, Thiago passou um período em retiro espiritual, percorrendo o caminho de Jesus entre Egito e Israel, e fechou a temporada vencendo o Troféu Brasil, ainda com 5,26m, marca distante do seu auge, mas que sinaliza a retomada do caminho. Os próximos planos incluem o Mundial Indoor, o Mundial Outdoor e os Jogos Pan-Americanos de 2027, com o objetivo de chegar a uma despedida olímpica em Los Angeles 2028.